O que jogar contra Cf3 ou c4 ?

O que jogar contra Cf3 ou c4 ?

Continuando a série do repertório de aberturas de pretas, faltou falarmos de como reagir quando as brancas jogam algumas aberturas um pouco mais alternativas, como 1.c4 e 1.Cf3, que são lances excelentes, mas menos populares que 1.e4 ou 1.d4.

Minha ideia de montar um repertório sempre se baseia em buscar posições similares para jogar, isso facilita muito o entendimento e aumenta a eficiência dos estudos.

Seguindo a similaridade to esquema que recomendei contra 1.d4, minha sugestão contra o lance 1.c4, é simplesmente jogar 1...e6!? e seguir com 2...d5 no próximo lance, buscando transpor para a defesa Janowsky, caso as brancas joguem d4 no segundo ou terceiro lance. Naturalmente, vamos estudar também os casos em que as brancas não jogam d4 em nenhum momento e mantém um esquema mais no estilo de abertura Inglesa mesmo.

Contra 1.Cf3, a ideia é jogar d5 logo de cara - caso as brancas joguem 2.d4, voltamos mais uma vez para a defesa Janowsky. Outra opção natural para as brancas é jogar com 2.g3 e fianquetar o bispo do rei.

Segue abaixo o vídeo que fiz com uma introdução dessas ideias:

E abaixo, o esqueleto das principais variantes:

Partida 1: Bilobrk x Dizdar

Catalã com dxc4 e a6, Cc6 e Tb8. As pretas jogam uma manobra interessante de Cb4 (buscando entrar em d3 se as brancas permitirem), e quando as brancas jogam a3, o cavalo volta e vai buscar a casa de b3, com Cc6-Ca5-Cb3). Enquanto isso, as brancas conseguem iniciativa no centro, mas as pretas mantêm o peão a mais e boas perspectivas na ala da dama.

Partida 2: Cherednichenko - Zontakh

Catalã com dxc4 e a6, Cc6 e Tb8 - as brancas jogam a4 rápido mas as pretas conseguem jogar b5 de qualquer maneira. Acontece uma manobra parecida de Cb4 e dessa vez as pretas conseguem entrar com o cavalo em d3 e ganham a partida pelo centro, sem deixar as brancas mostrarem compensação alguma pelo peão.

Partida 3: Efimov x Giri

Catalã com Dc2 rápido demais, Giri usa a ideia genérica de acelerar a6, b5, Bb7, Cbd7 e c5. Para conter a iniciativa das pretas, as brancas preferem isolar o peão (para que as pretas não consigam desenvolver com um bispo para c5, por exemplo. A posição em seguida é sempre ruim para o branco por causa do peão fraco sem nenhuma vantagem em troca disso, e por fim, as pretas ganham um final instrutivo de bispos.

Partida 4: Schreiner x Banusz

Catalã com dxc4 rápido, as brancas jogam Da4+ e as pretas conseguem jogar o plano com c6, b5, Bb7 e acelerar a6 e c5 por meios táticos (10...c4!) e criam um peão passado na ala da dama, que às vezes pode ser uma fraqueza, mas nessa partida acaba sendo decisivo para a vitória.

Partida 5: Golubov x Zhigalko, S

As brancas jogam Cf3-g3 e as pretas respondem desenvolvendo o bispo para fora, com Bg4 rápido e escolhem jogar com ...e6, provocando o avanço de e5 das brancas para depois criar uma ruptura com f6 e em seguida, e5. A posição fica bastante confusa depois do lance 18.f5 e acaba dando certo para as pretas nas complicações.

Partida 6: Ding Liren x Malakhov

Ideia parecida com a partida anterior, mas as pretas jogam com ...e5 ao invés de ...e6, é outro desenvolvimento possível. Nessa partida, as pretas entregam o par de bispos em f3 mesmo e buscam um jogo livre no centro. Nesse caso, é importante o peão preto em e5 para que as brancas não possam jogar e5. Depois do lance 20...c5! a posição se liquida para um empate.

Com esse artigo, terminamos a sugestão de repertório para as pretas! Lembrem-se que a prática é tão importante quanto o estudo. Me conta os resultados? Até a próxima!