Sobre o Continental das Américas
Estamos a poucos dias do início de mais um Continental Americano de Xadrez, o evento aberto mais forte do continente. É praticamente uma "Libertadores do xadrez", já que vale vaga para a Copa do Mundo (não confundir com o Mundial). Vamos falar um pouco sobre sua história e também sobre o meu palpite para 2025.
História
O Continental, no formato atual, foi criado em 2001. Antes disso, os torneios eram chamados de Pan-Americanos e, na maioria das vezes, não eram abertos — apenas alguns jogadores convidados participavam. Dessa fase, dois eventos merecem destaque. O primeiro, realizado em 1945, foi especialmente forte. O brasileiro Walter Cruz foi um dos participantes.

E outro destaque foi o evento de 1978, o único evento que um brasileiro venceu, o lendário MI Hermann Claudiuos.

Formato Atual
Foi apenas em 2001 que o Campeonato Continental passou a ter o formato atual. Os Pan-Americanos continuam existindo, mas o torneio que serve como classificatório para a Copa do Mundo é o Continental.
Nas edições de 2001 e 2003, o Continental classificava diretamente para o Mundial da FIDE, mas isso mudou em 2005, com a criação da Copa do Mundo no formato que conhecemos hoje.
Em 2003, tivemos a melhor participação de um brasileiro nesse formato: o GM Giovanni Vescovi terminou empatado em primeiro lugar, ficando oficialmente em segundo pelos critérios de desempate. Na mesma edição, um jovem chamado Hikaru Nakamura terminou em quarto lugar.

Recordes
No nosso continente, um nome se destacava acima dos demais: o peruano Julio Granda, simplesmente quatro vezes campeão do Continental, sendo até hoje o maior vencedor da história da competição — e dificilmente alguém vai superar esse feito.
Melhor Jogadora
A melhor jogadora da história do Continental aberto também é do Peru: Deysi Cori. Ela conquistou vaga na Copa do Mundo absoluta graças aos seus desempenhos nos Continentais de 2013 e 2014. Deysi é, até hoje, a única mulher — além de Judit Polgar — a se classificar para a Copa do Mundo absoluta via Campeonato Continental.
Evento de 2025
O evento de 2025, conta com muitos jogadores de elite, não é historicamente o mais forte, mas conta com mais de 200 jogadores, vários com 2600+ ou próximos disso.
Nenhum brasileiro venceu esse evento até hoje, e acredito que isso vai continuar assim. Meu palpite — e não é torcida — é na vitória do GM estadunidense Brewington Hardaway, atualmente pré-ranqueado número 16. Ele tem apenas 16 anos e já é considerado uma das grandes promessas do xadrez norte-americano — e, quem sabe, futuramente, do xadrez mundial.
Onde Assistir
Esse evento conta com múltiplas transmissões, vou recomendar o canal do Everton Togni: https://www.youtube.com/@evertontogni