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Averbakh (95), o GM Mais Idoso do Mundo, Joga Rapaz de 4

Averbakh (95), o GM Mais Idoso do Mundo, Joga Rapaz de 4

Na passada Terça-feira, um pequeno festival de xadrez teve lugar na famosa torre Ostankino em Moscovo. Entre os participantes estavam as lendas do xadrez Boris Spassky e Yuri Averbakh, mas também Sergey Karjakin e a mais recente estrela Russa, Misha Osipov

Maria Emelianova relata, com texto e fotos.

Foto de manchete e todas as outras fotos: Chess.com/Maria Emelianova.

Por ocasião do 50 aniversário da famosa torre de radio e televisão de Moscovo Ostankino, um programa especial de xadrez foi transmitido, com o apoio da fundação "Change One Life" (Muda Uma Vida).

Sergey Karjakin deu uma pequena exibição de simultânea, mas o ponto alto da noite foi o confronto entre o o mais idoso grande mestre do mundo, Yuri Averbakh (95), e o rapaz de quatro anos Misha Osipov—de quem te podes lembrar da sua partida na TV do ano passado contra Anatoly Karpov

Osipov defrontando Karpov o ano passado.

Em adição, foi jogado um confronto de xadrez emparceirado, em que Karjakin e Osipov bateram Averbakh e o seu parceiro, Alexander Zhukov. Este último ú o primeiro deputado presidente do Duma da República Russa e o Presidente do Comité Olímpico Russo.

Convidados honorários das festividades foram o 10º campeão do mundo Boris Spassky e o presidente da FIDE Kirsan Ilyumzhinov.

O evento foi apresentado pelo famoso comentador desportivo Dmitry Guberniev e a apresentadora de TV e radio (e jornalista de xadrez) a WGM Elmira Mirzoeva.

Um vídeo da atmosfera do canal Russo do YouTube do Chess.com.

Enquanto esperavam pelo início das festividades, duas lendas do xadrez Boris Spassky e Yuri Averbakh sentaram-se ao tabuleiro, e o GM mais idoso mostrou algumas posições interessantes para resolver. Iremos mostrar-te três das mais interessantes.

Esta é provavelmente a mais bela, de acordo com Sergey Karjakin

Ameaçando mate em h6 ou ganhando uma torre devido a uma pregadura, a dama branca usa movimentos em escadaria para alcançar f6 e forçar as Pretas a promover uma dama em a1, e então a dama recua usando a mesma técnica de volta para f6 para vencer com um zugzwang. Espantoso!

A próxima é muito mais simples: as Pretas precisam obviamente de capturar o único ás na posição das Brancas: um peão passado. Mas como o fazer?

Outra beleza: normalmente uma dama e cavalo vs dama é um empate, mas aqui não. As Brancas usam a mal posicionada dama preta por zugzwang! Quantas vezes é que vês um lance de rei como sendo o destaque de tal posição?

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Um recinto repleto para o dia do xadrez em Moscovo.

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O presidente da FIDE Kiran Ilyumzhinov com os apresentadores do programa, a WGM Elmira Mirzoeva e o mais famoso comentador desportivo Russo, Dmitry Guberniev.

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O 10º campeão do mundo de xadrez, o GM Boris Spassky.

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O GM Yuri Averbakh, aos 95, ainda demonstra uma memória fenomenal e uma mente brilhante. Quase incapaz de ver o tabuleiro devido à sua visão significativamente diminuída, ele ainda conseguiu ganhar uma peça e dominar completamente a posição. Infelizmente, ele perdeu uma torre quando não viu claramente o lance do seu jovem oponente.

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Misha Osipov (quatro) disse que o mais importante não é vencer, mas de fazer lances fortes e não cometer asneiras.

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Embora houvessem algumas asneiras, Misha não foi aquele que cometeu o derradeiro erro.

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Entretanto, Sergey Karjakin venceu todas as suas partidas contra os garotos de famílias adoptivas. O evento foi patrocinado pela fundação "Change One Life".

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O xadrez é divertido!

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Boris Spassky conta uma história sobre o rei Sueco Karl XII, cujo exército foi cercado pelos Turcos, e consequentemente ele teve de lutar o inimigo face-a-face. Quando o apresentador disse a Boris, "Estás a contar esta história como se lá estivesses estado!", o campeão retorquiu na brincadeira, "É claro, eu conheci o Karl muito bem!"

A próxima parte do programa foi de "xadrez emparceirado" em dois tabuleiros: o lance feito por qualquer das cores no primeiro tabuleiro é repetido no segundo, e então o primeiro tabuleiro repete depois do segundo. Zhukov tinha jogado antes da equipa de Karjakin, e eles até venceram o campeonato de Moscovo nesta disciplina, mas desta vez eles estavam em lados opostos: Misha ficou emparceirado com Sergey, enquanto Zhukov teve de ler a mente de Averbakh. 

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Alexander Zhukov, ao lado de Kiran Ilyumzhinov. 

Após um par de lances passivos, a equipa da geração mais jovem encontrava-se numa situação difícil, portanto Sergey decidiu arriscar e sacrificar uma peça.

Misha: "Porque é que ofereces-te um bispo?"

Dois lances mais tarde, Misha entendeu a ideia do campeão do mundo de blitz, e portanto a equipa ganhou uma dama e a partida.

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Osipov, jogando já com uma camiseta de patrocinador, não viu imediatamente a ideia de Karjakin. 

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Sergey, insatisfeito com a posição, decidiu turvar as águas com 19.Bxd5?!

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O conselho da nova geração para os mais novos: "Joga melhor xadrez, e não irás precisar de sacrificar!"

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Averbakh tem dificuldades com a sua visão, mas a sua mente ainda é fina.

Yuri Lvovich ainda apoia ativamente o movimento xadrezista no país. Apesar da sua idade, ele trabalha (!) na Biblioteca Pública e Nacional para a Ciência e Tecnologia [Russa], onde ele ajuda a preparar treinadores de xadrez. "É claro, é a minha função. É uma pena que Garry [Kasparov] tivesse deixado o xadrez e decidido escolher a política em vez de livros de xadrez e propaganda xadrezista. É a nossa missão fazer isso," disse ele. 

Averbakh, contactado após o evento, falou sobre as suas memórias xadrezistas.

"Eu fui sempre aquele que contava anedotas, não porque estava a tentar lembrar-me delas, mas porque elas tinham sido gravadas na minha memória instantaneamente," disse Averbakh. "Eu tenho uma assim chamada 'memória emocional:' Eu estava sempre a lembrar-me dos eventos ligados a alguma emoção forte. Anedotas levam ao riso, portanto era fácil para mim de as lembrar.

"Em 1947, mestre [Benjamin] Blumenfeld, quando ele ia defender a sua tese de doutoramento, [tinha] conduzido algumas experiências de xadrez em mim, e foi quando eu descobri este fenómeno. Durante a pesquisa de Blumenfeld, eu regressava ao meu campeonato de Moscovo de 1939, e descobrimos que todas as partidas com sacrifícios e muito estresse emocional eu lembrava perfeitamente, enquanto manobras e lutas longas eram mais difíceis de evocar."

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Averbakh revelou que tem uma "memória emocional" excelente.

Averbakh continuou: "Eu fui abençoado em viver na época dourada do xadrez. Foi o confronto de 1945 entre EUA-USSR que foi transmitida no rádio que abriu grandes oportunidades para os jogadores Soviéticos. Eu recordo-me que aquele grande mestre Americano Denker me disse que os Americanos estavam a contar que o confronto acabasse com uma pequena margem, enquanto eles eram os quatro vezes campeões do mundo reinantes. A propósito, eu estava a trabalhar como controlador deste confronto. A nossa vitória esmagadora mudou tudo: os jogadores de xadrez Soviéticos começaram a participar no estrangeiro, e até um segundo lugar era considerado um falhanço. Como resultado, Botvinnik tornou-se campeão do mundo.

"Existem muitas opiniões sobre o poder Soviético, mas graças a este, o desporto tornou-se muito importante no país. O Highest Soviet of Physical Culture foi estabelecido por Krylenko, e torneios internacionais de 1925, 1935, e 1936 tiveram lugar em Moscovo sobe o seu patrocínio."

Hoje em dia é menos sabido que Averbakh também foi um árbitro em muitos eventos de topo. Perguntado quais tinham sido os mais memoráveis, ele respondeu: "Eu recordo-me do confronto Kasparov vs Short, em que conheci a Princesa Diana. E o confronto Ponomariov-Ivanchuk, em que o Sergey de 12 anos estava a ajudar Ruslan."


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