Método para minimizar erros durante os jogos de xadrez no “chess.com”
Este texto versa sobre como podemos tratar nossos jogos para cometer menos erros bobos. Sabemos que o xadrez é fantástico e depois do décimo movimento as opções começam a se ampliar. Chegando ao limite do ser humano em tratar com o cálculo lógico e equacionamentos de suas fragilidades e problemas, aos quais chegam a contar com dezenas de opções que se multiplicam de forma astronômica a cada lance e movimento. Tudo vai se acumulando ora no processo de defesa, ora na elaboração e desenvolvimento de combinações ganhadoras e mortais para o reino adversário.
Jogar ao vivo é você e o seu oponente logo ali, apenas um. O jogo começa e você vive o momento do jogo segundo por segundo. Entretanto, nossa realidade do jogo a distancia com vários adversários ao mesmo tempo, parecendo uma simultânea em alguns momentos. No jogo por correspondência, usando as velhas cartas do vovô, as coisas ocorrem bem mais lento do que os dias atuais, contando o tempo por dias entre receber e responder e o trânsito dos correios, diferente do imediatismo atual. Pessoalmente ainda gosto da cadência de três dias para pensar como nas cartas. E o site “ches.com” nos favorece com um misto dos tempos da carta, três dias para pensar, mas com uma resposta de trânsito rápida “on line”, quase ao vivo, visto que não vejo concretamente meu oponente de corpo presente. Contudo, o jogo flui e perdemos a noção de que temos três dias, cadência mais comum em nossos jogos, para pensar e estudar o momento apresentado no tabuleiro.
Como podemos recorrer aos nossos queridos livros e as companheiras anotações, podemos fazer isto com parcimônia e calma, aproveitando o espírito da batalha de ideias de egos demonstradas nas sessenta e quatro casas do tabuleiro.
Quando jogava por correspondência, eu abria uma folha nomeava a partida (psshqib x fulano) e a cada linha da folha abaixo ia anotando os lances. Ao lado com um lápis no restante da linha fazia minhas observações: se ele me responder isso faço aquilo. Na abertura verificava o livro e anotava a página da variante que estávamos seguindo. Em particular gosto dos livros do Ludek Pachman, como são bons, verdade! Assim, a cada lance montava o tabuleiro e pegava minha folha desta partida. E eu usava o meu tempo o máximo que podia antes de ir aos correios entregar minha resposta. Vamos ao passo a passo:
- Hoje o site me apresenta o tabuleiro armado, mas não esqueçamos que existe um tempo de três dias, se fosse dez, cinco ou um minuto, tudo bem, a gente deveria se apressar. Mas, são três dias como na velha correspondência, então vamos montar nossa folha partida por partida, isto para quem está começando é bom, para ir condicionando a mente, assim pode anotar movimento por movimento. Contudo, o site já mostra os lances anotados. Então, podemos simplificar com os recursos que o site nos permite, num caderno de notas anote apenas os nomes, abertura, e observações como o livro consultado. No site posso fazer análises da posição e/ou usar os dados disponíveis para vê que movimento é mais jogado conforme o banco de dados para esta posição. Assim, a cada dez lances, por exemplo, ou quando a coisa ficar crítica, eu imprimo a posição numa folha e vou para o tabuleiro normal e vejo as possibilidades.
- Como é esta folha? Monto da seguinte forma: capturo a imagem da posição jogo no tabuleiro e colo no software Word e imprimo a mesma. Observando que na imagem apareça o meu nome e do adversário.
- Com a folha impressa vejo minhas anotações. O que houve de diferente? Então, na folha impressa vou anotar os lances que acho serem os melhores. E vou analisando cada movimento escolhido: o que ele fará? Vou fazendo as sequências com tantos lances que forem necessários para me convencer que este movimento é bom ou ruim ou meio.
- Sempre tendo em mente a responsabilidade que o xadrez ensina a cada jogada. Eu tendo escolhido o movimente respondo por minha conta e risco.
Caso não tenha impressora, se estiver num quarto de hotel, casa de praia, sítio na serra ou coisa parecida, sempre que viajar tenha consigo um pequeno jogo de peças, pois nem sempre o acesso à internet é fácil neste grande Brasil. Caso tenha uma boa internet o site “chess.com” pode ser usado para analise. Nas viagens sempre faço meus lances pelo smartphone, tablet, LAN House, já fiz lance no computador emprestado do hotel. Ou mesmo, ter que subir num lugar alto para o celular dar sinal, tudo para não atrasar. Além de tudo, é bom ter um caderno de notas, para fazer os registros da posição. Vencidos os obstáculos, depois siga a análise de suas partidas sempre registrando a sua sequência lógica. Isto vai evitar erros, e como vai. Porque muitas vezes falhamos na exposição de nossas ideias quebramos a sequência de cálculo.

Imagem 1 – Folhas de anotação impressas
Nestas últimas férias fui a Fortaleza-CE, minha cidade natal, e tive problema com a internet do meu apartamento. Então, tive que me virar com os “Dados Moveis” do celular, mas tinha usado muito durante a viagem na estrada, recebi um aviso da operadora sobre as limitações do meu plano. Então, quando ia a um restaurante, lanchonetes, lava-jato ou loja o Wi-Fi era fundamental, ou mesmo quando ia à casa dos manos e parentes. Eu via as partidas e quase sempre precisava analisar e não dava para fazer isso nestes lugares. Então, eu capturava a imagem ou anotava as posições numa folha. Veja a seguir, imagem 2, a anotação é bem simples, pois vamos anotar em oito linhas sendo as casas vazias números e a peças brancas letras maiúsculas e as peças negras letras minúsculas.

Imagem 2 – Folhas de anotação da posição
Agora com a anotação, caso desejar abrir uma folha com a posição anotada e com um pequeno tabuleiro podemos chegar num lugar calmo, montar a posição e começar a analisar normalmente, fazendo as anotações devidas como mostradas nas folhas da imagem 1. Ao definir o melhor lance da posição é só programar uma visita a um restaurante, hotel ou parente e realizar os lances com um acesso rápido. E ninguém nem vai notar que acabas de dar continuidade as suas partidas de xadrez.
Ao proceder desta forma tenho certeza que vais reduzir a probabilidade de erros, enganos e principalmente as “cegadas” tão doloridas. Este procedimento reduz não evita totalmente, visto que somos humanos e o jogo nos desafia a cada movimento, e do outro lado também temos um brilhante oponente, que tem seus conhecimentos a serviço da outra cor. Graças a Deus as limitações diante a grandiosidade do xadrez é para todos. Assim, devemos estudar os exercícios de finais e táticas, mesmo que a preguiça fique nos puxando para jogar partidas que somente toma seu tempo disponível.
Este método é mais uma ferramenta para se somar a todas as outras, importante, que os erros são inevitáveis devido à complexidade das posições que virão. Falando em complexidade, uma ferramenta que deve ser usada com responsabilidade é o “engine”. Lembrando que o recuso de “engine” é para análise de partidas passadas e mortas, e para treinamentos, pois o computador com seu motor sempre estão disponíveis. Alerta! Não pode passar disso. Pois, que graça tem deixar uma máquina fazer seus lances, e ser representado por um programa: é uma vergonha. Então, sejamos autênticos e verdadeiros com todas as nossas limitações e falhas, pois elas são tão minhas como o lixo que produzo todo dia. E delas, as falhas, vamos tirar nossos ensinamentos em busca de fazer grandes jogos.
Concluímos que adotando estes procedimentos vamos aperfeiçoar a utilização do nosso tempo e fazer belos jogos, independente dos baixos recursos. Aplicando este método tenho certeza que podemos virar posições e jogos. Pode até programar sacrifícios e combinações, logicamente, dentro de nosso limite de visão de jogo.
/PSS