Clube de Xadrez São Paulo
Olá amigo,
No dia dezenove de outubro de 2019 tive a oportunidade de conhecer o Clube de Xadrez de São Paulo, localizado próximo ao metrô da Praça da República, a mais de cem anos. Além de ter sido a primeira vez que fui ao clube, também, foi a primeira vez que participei de um campeonato oficial organizado por um clube de renome. No campeonato havia cerca de vinte participantes, em sua maioria associados do clube e todos eram os melhores do clube, para meu azar!
Ao chegar ao clube no horário previsto para o início do campeonato tive o primeiro contato com os participantes. Entre eles havia uma criança, alguns jovens e o restante eram adultos na faixa entre quarenta e setenta anos. Havia apenas três mulheres naquele local: a minha mãe e outras duas que estavam acompanhando seus respectivos companheiros, no entanto, elas não participaram do torneio. O clube em si não é um local grande, mas conta com diversas mesas para a prática do jogo.
Além do espaço reservado para jogar, o clube, também, conta com uma pequena lanchonete, um acervo de livros e banheiros. O ambiente é muito agradável, no entanto, como todo clube, para frequentá-lo é preciso pagar uma mensalidade. Particularmente, se tivesse mais tempo, provavelmente, me tornaria sócio, uma vez que poderia aprimorar minhas habilidades através do convívio com pessoas mais bem preparadas.
Durante o pouco tempo que tive, tentei observar e conversar com as pessoas do local, três delas me chamaram a atenção: um ex-aluno da FEA-USP, um senhor de setenta anos, e um Mestre Internacional de Xadrez. O ex-aluno da FEA-USP, chamado Marcelo, me disse que havia se formado em 2007; ele me pareceu muito empenhado em aprender e em aprimorar seu estilo de jogo, uma vez que fazia aulas com o Mestre Internacional Mauro Guimarães e que participava de campeonatos fora do estado de São Paulo. Amigavelmente, ele me apresentou ao seu professor, que imediatamente, se prontificou a me dar aulas, caso eu quisesse. Antes de descrever o campeonato, gostaria de apenas comentar sobre o senhor de setenta anos. Apesar de não saber o nome dele, o que mais me chamou a atenção foi o fato de que ele frequentava o clube desde os seus quatorze anos, ou seja, cinquenta e seis anos jogando xadrez!
Como sabemos, basicamente, o jogo de xadrez consiste em pensar. Durante as doze rodadas tive a oportunidade de enfrentar todos os oponentes, até mesmo a criança que estava no local e já adiantando o resultado de meu desempenho fiquei em último lugar, sem direito a prêmio de consolação. Mas isso não foi uma novidade para mim, uma vez que já sabia que enfrentaria adversários muito melhores do que eu. Ademais, durante a partida fui conhecendo algumas regras, como por exemplo, controlar o relógio com a mesma mão que realiza a jogada.
No inicio, estava um pouco nervoso com a situação, a pressão de jogar uma partida de xadrez em três minutos fez com que minha visão ficasse embasada e que realizasse muitos lances sem refletir a respeito das consequências. Por outro lado, meus adversários acostumados a jogar aquele ritmo de jogo, se sentiam a vontade. Alguns chegaram a comentar comigo que era apenas uma questão de costume e que depois de algum tempo aquilo poderia tornar-se mais fácil. Mesmo assim fiz o meu melhor.
Durante as partidas ficava pensando se meus adversários estavam conseguindo calcular os movimentos das melhores jogadas. Me pareceu que sim, pois por mais que eu me esforçasse em encontrar fraquezas no exército inimigo, não consegui encontrá-las da mesma forma que eles encontravam fraquezas em meu exército. Como soldados bem treinados movimentavam seu exército com eficácia, transformando o tempo cronológico de três minutos em muito mais, devido à quantidade de lances que eram capazes de realizar neste curto espaço de tempo. Desta forma, minha participação ficou restrita a perder todas as batalhas, inclusive para criança, que estava naquele local, e a observar a reação dos jogadores.
Todos estavam ali para ganhar o torneio. Ademais, fiquei sabendo que aquele campeonato, que ocorre aos sábados, é o mais concorrido. Naquele local, o xadrez é levado a sério! Em minha capacidade limitada de observar e de compreender pude notar diversas reações: movimentações rápidas no tabuleiro, expressões de indecisão, pessoas compenetradas, algumas angustiadas, outras calmas, umas jogando apenas por diversão, outas inconformadas com a derrota, observadores que atentamente acompanhavam e comentavam as partidas dos outros jogadores, jogadores trocando experiências ao final das partidas, enfim diversos pensamentos que compuseram as jogadas daquele torneio que seriam impossíveis de serem analisadas pôr um ser humano normal. Uma experiência nova que me permitiu conhecer o xadrez a partir de uma nova perspectiva.
Apenas para concluir esse breve relato de minha visita e participação no torneio, gostaria de deixar registrado que apesar de ter sido o pior jogador, não deixei de ter sido tratado com respeito e com atenção. Isso mostra que as pessoas, mesmo sendo muito boas em alguma atividade, também, podem ser humildes e podem respeitar as limitações de cada um.
Se você chegou até aqui, obrigado pela atenção !
Eduardo