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Aprenda a Ruy Lopez - de pretas!

Aprenda a Ruy Lopez - de pretas!

GMKrikor
| 5 | Teoria de aberturas

E aí pessoal! Voltei para a segunda parte do artigo sobre a Abertura Ruy Lopez, dessa vez focando no lado das pretas. Segue abaixo aquele video introdutório com as ideias gerais!

Dos grandes defensores da Ruy Lopez de pretas, podemos citar Svetozar Gligoric (324 partidas de pretas!), Paul KeresJosé Raul Capablanca, Akiba RubinsteinAnatoly Karpov e muitos recentes, como Vladimir Kramnik, Levon Aronian e o próprio campeão mundial Magnus Carlsen.

Vamos às partidas - Nesses dois primeiros exemplos, temos um jovem Karpov, aos 15 e 16 anos, respectivamente. É incrível ver a sua intuição posicional diferenciada, desde essa idade tão precoce. Gosto muito da primeira partida, onde ele mostra com maestria como aproveitar a expansão na ala da dama, quando as brancas jogam o inofensivo 13.dxe5.

Partida 1: As pretas conseguem uma posição tranquila na abertura e começam a expandir na ala da dama com os típicos lances 16...c4 e 18...Cb7, para levar o cavalo a c5 (apenas no lance 30) e também 25...a5 e 26...b4. O forte peão passado de 'b' decide a partida no final.

Partida 2: As brancas buscam um ataque precipitado na ala do rei, sem o devido desenvolvimento, e mais uma vez Karpov reage da maneira ideal - abrindo o centro com 14...d5! e utilizando a mesma manobra 18...c4! e 19...Cc5! O ataque central das pretas se prova muito mais forte que a expansão desajeitada das brancas na ala do rei. Outra grande vitória!

Partida 3: Essa partida é muito importante para a história da Ruy Lopez, pois surgiu uma manobra típica que é usada até hoje - repare nos lances 16 até o 21 das pretas - Essa reorganização dos cavalos, terminando em 19...Cg7 e 21...Cf7 parece visualmente estranha, mas ajuda muito o controle da ala do rei, e muitas vezes o cavalo das pretas fica limitado em b7 (como vimos no artigo anterior). Repare que essa partida é de 1874 (!). Depois de muita confusão, as pretas conseguiram uma boa vitória.

Partida 4: Coloquei essa referência pois usei a mesma ideia dos cavalos que mencionei na partida anterior, trazendo o cavalo lá de a5 até f7, para expulsar o bispo das brancas de h6. Outro lance importante é 22...f5! para lutar por espaço na ala do rei, e depois 28...c4! para pressionar o peão de d5, que consegui ganhar no lance 31.

Partida 5: Seguem agora duas partidas da Ruy Lopez das trocas, uma arma um pouco fora de moda hoje, mas que teve muito sucesso no passado e merece estudo. Começamos com uma partida do Ivanchuk, onde as damas rapidamente são trocadas e chegamos nesse final, onde as brancas tem uma melhor estrutura de peões (dobrados das pretas em c6 e c7), mas por outro lado, as pretas tem o par de bispos, em uma posição com tendência mais aberta. Após muitas trocas do lance 23 ao 27, as pretas conseguem um final vantajoso, com grande potencial na ala da dama, que acaba decidindo a partida.

Partida 6: Mais uma partida na Ruy Lopez das trocas, só que caindo em estrutura diferente. Aqui as damas também são trocadas, mas dobrando os peões brancos em f2 e f3. As pretas ficam aparentemente com o bispo ruim (de casas pretas), mas conseguem grande vantagem de espaço e estão lutando por vantagem sempre - as brancas não têm rupturas claras enquanto que as pretas têm mais liberdade após 20...Bf6, por exemplo.

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