Artigos
Artigos
Aprenda a Siciliana fechada!

Aprenda a Siciliana fechada!

GMKrikor
| 10 | Teoria de aberturas

A sugestão de hoje é a primeira que faço contra a temida defesa siciliana, com o lance 2.Cc3, que é a siciliana fechada, não tão popular hoje em dia. Assim como a abertura do bispo, escolhi essa variante principalmente por tê-la jogado por muitos anos, desde 1999 até 2003 (descobri que nunca mais a joguei desde então!).

As partidas referência do artigo não são dos melhores jogadores do mundo, mas apenas as minhas, (com exceção de uma) de quando eu tinha entre 13 a 17 anos de idade. Uma vantagem de ver partidas ‘do mundo real’ é que isso facilita o leitor a se identificar, pois enfrentei adversários de vários níveis, muitos da minha idade.

Segue o vídeo introdutório com as ideias gerais e em seguida o artigo, com comentários breves:

Partida 1: As pretas permitem a captura do cavalo e dobram os peões com bxc6. O plano vai ser sempre jogar com f4, e em algum momento e5, pra enfraquecer o peão de c5 (que normalmente terá o apoio do peão de d6). Nessa partida, meu adversário fez um erro tático com 10...Bxc3, mas a posição já era bem desagradável, essa foi a estreia da siciliana fechada, em 1999!

Partida 2: Nesse segundo exemplo, consigo aplicar o mesmo plano e logo as pretas ficam com problemas sérios não só em c5, mas também na casa fraca d6. Após a troca de damas, o final com peão a menos e posição inferior é sem esperança para as pretas.

Partida 3: Aqui as pretas já evitaram o plano inicial de dobrar os peões em c6, jogando o profilático Bd7, que é uma boa opção. Como eu não vou conseguir a dobra dos peões, NÃO FAZ SENTIDO capturar o cavalo direto, 6.d3 é melhor, esperando que as pretas ataquem o bispo primeiro. Como o preto optou por fazer o fianchetto, as brancas tem outro plano típico e perigoso: passar a dama para h4 com De1, Dh4 e depois jogar f5, seguido de Bh6 e Cg5. Meu adversário não reagiu bem e consegui ganhar por ataque!

Partida 4: Enfrentando o também futuro GM Felipe El Debs, em 2001, quando não tínhamos rating FIDE ainda, ele já demonstrou conhecimento e fez Cd4 rápido para evitar a captura em c6. Eu costumava jogar com 3.f4, não sei porque joguei 3.Cf3 aqui, mas de qualquer maneira temos outra estrutura típica – as brancas capturam o cavalo em d4, e trazem o cavalo para e2, seguindo com d3 e expansão na ala do rei com f4. A posição depois de 18.Ba3 é curiosa, com os dois bispos brancos apontando de longe. Lembro que no fim da partida ele disse brincando que eu fiz isso de propósito pra ele esquecer que os bispos estavam ali.

Partida 5: Nesse exemplo, já em 2002, eu tinha uma noção melhor de transposições, e logo quando meu adversário jogou 2...e6, dizendo que não ia deixar eu jogar Bb5 atacando o cavalo, joguei Cf3 e g3, entrando em uma siciliana aberta. Ele logo caiu em uma posição perigosa, sem desenvolvimento e levou o forte sacrifício temático com 12.Cd5! Essa partida não é da siciliana fechada, mas pra quem quer jogar o esquema com Bb5, pode jogar às vezes com d4 também, que chamamos de sicilaiana aberta.

Partida 6: Nessa partida, encontramos ainda outro esquema – meu adversário jogou com a6 rápido para evitar a cravada (eu podia jogar 4.Bb5, mas nessa época eu estava buscando posições diferentes). E de novo segui com g3 mantendo a opção de abrir. Como ele jogou com g6, joguei com d3 e Be3, outra formação típica da siciliana. Mais adiante, um momento interessante é o lance 13.d4! aproveitando que o peão de d6 vai ficar fraco, pois o bispo dele está em g7 e o peão já saiu de e7. Após 17.Tfd1, a posição preta já é desagradável.

Partida 7: Mais uma vez enfrentando o Diogo Nakasawa, meu adversário de categoria por muitos anos, ele encontrou outra maneira de evitar a dobrada dos peões, dessa vez acelerando Cge7, que é uma ideia interessante. No momento que ele joga 5...g6, identificamos na hora a estrutura ‘queijo suiço’, com muitas fraquezas nas casas pretas, que fica mais clara ainda depois do lance 9...a6 (que é útil pois evita pulos de cavalo em b5). Ele jogou melhor a transição pro final, e conseguiu boa posição, acabei ganhando com o golpe tático 31.Txb4!

Partida 8: Aqui vemos um plano já citado, que é o primeiro de todos – dobrar os peões em c6 e atacar a fraqueza de c5. Coloquei essa partida pois foi contra um jogador forte, de quase 2300, que, por não conhecer a variante, logo caiu em posição difícil e escolheu sacrificar qualidade no lance 13 senão ele ia levar e5! no próximo lance, quebrando toda a estrutura das pretas.

 Partida 9: Essa última partida é a única que não é minha, porque me jogaram muitas vezes esse plano e eu não sabia reagir bem. Uma ideia boa é jogar com g3 , porque quando o preto joga com e6, ele dificilmente vai jogar com g6, para conseguirmos o ataque na 3ª partida do artigo (contra Diogo Sá). Mais adiante, o branco joga com h3-g4 e o desagradável para as pretas é que não é fácil criar contato no centro, porque sempre que o preto tenta d5, as brancas jogam e5 e podem tentar um ataque na ala do rei. As pretas vão acabar jogando f6 e criar uma fraquza na ala do rei, como na partida. Claro que o preto está bem, mas o branco tem suas ideias também.

E você, costuma jogar o que contra a siciliana? tenta a variante aberta e navega nas complicações, ou busca algo mais tranquilo, como a variante Alapin, ou o Ataque Índio do Rei? Não esquece de deixar a sua opinião nos comentários abaixo!

Mais de GM GMKrikor
Como melhorar no xadrez?

Como melhorar no xadrez?

Conheça 5 finais espetaculares de Capablanca!

Conheça 5 finais espetaculares de Capablanca!