Minha primeira vivência na Arbitragem.
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Minha primeira vivência na Arbitragem.

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Olá pessoal!

Hoje o compartilhamento não é sobre torneio que joguei, mas sim sobre torneio que arbitrei. Sem dúvidas foi uma vivência totalmente diferente da de jogador, só que repleta de aprendizado e história para contar.

Dentre os dias 05 a 09 de agosto ocorreu a fase Final até 17 anos do JEESP. E pela primeira vez na vida, eu estava presente na equipe de arbitragem. E diferentemente do jogador, o arbitro, como o nome já diz é quem arbitra, ou seja, é o responsável por criar um ambiente favorável para os enxadristas darem o seu show dentro das 64 casas.

E nesta fase Final estávamos em três (3) árbitros e um dirigente, cada um tendo sua função especifica, sendo:

Arbitro de Mesa: É o responsável pelo emparceiramento e todas as dúvidas relacionadas aos critérios de desempate, além do relatório após cada rodada que é enviado para divulgação do resultado no boletim do evento.

Arbitro de Salão: É o responsável por cuidar do ambiente de jogo, verificando se os jogadores ocuparam sua mesa corretamente, além de verificar material utilizado e resolver os problemas surgidos dentro do tabuleiro (lance ilegal, dúvidas sobre movimentação etc.). Neste torneio eu e um amigo exercemos esta função.

Dirigente: É um funcionário da Secretaria de Esportes e o responsável por verificar documentação dos atletas, vestimenta e todas as exigências citadas no regulamento do torneio.

Salão Principal.

Como era o meu primeiro torneio, eu fui bem sincero e expliquei que a parte do salão era a que mais me agradava fazer, e desta forma, lá estava eu durante os cinco (5) dias de torneio. E abaixo compartilho alguns pontos interessantes que precisei intervir.

Relógio configurado errado: Apesar de ser uma final, muitos atletas que estavam presentes no torneio não estavam habituados com torneios de xadrez, Desta forma em algumas rodadas peguei relógios configurados errado. Neste caso o procedimento apesar de simples exige bom senso. Pois primeiro é preciso realmente observar o relógio e ter certeza que o mesmo esta configurado errado, depois de confirmado, eu parava o mesmo, explicada para os atletas o que estava ocorrendo, anotava em um papel o tempo de cada um, fazia a conta de como ficaria o novo tempo reajustado, e aí finalmente configurava o novo tempo e permitia que a partida prosseguisse.

Apuro de tempo: Mesmo sendo um torneio com um tempo relativamente bom (1h+30) em toda rodada sempre tinha algumas mesas que a partida chegava ao apuro do tempo. Neste torneio em específico, por ter poucos atletas (23 no total), eu não proibi ninguém de acompanhar as partidas, mas busquei ficar sempre atento em deixar os acompanhantes e demais jogadores sempre a uma distância razoável do tabuleiro. No final, não houve nenhum problema. Apenas um alerta nos primeiros dias sobre as fotos neste período da partida.

Fotos dos atletas: Logo no primeiro dia já expliquei no Congresso Técnico que sei o quanto o registro dos atletas durante o torneio é importante. Só que recomendei que o mesmo estava liberado apenas nos primeiros 10 minutos. Claro que precisei reforçar este aviso nos demais dias, e inclusive teve um dia que teve um pessoal tirando foto após este tempo, inclusive como citei acima, no apuro de tempo. Eu apenas observei, e depois em off expliquei para a pessoa que estava tirando as fotos a importância de evitar o registro neste momento da partida, pois as vezes na tensão do momento, estas fotos podem criar situações onde o atleta perde o foco. No geral, nenhum problema. Todos conseguiram seus registros.

Análises das partidas: Por jogar, eu sei o quão importante é o bate-papo e análise das partidas após o término da mesma. Mas justamente por jogar, sei também o quanto isto pode ser motivo de atrapalhar o ambiente de jogo. Então após a segunda rodada, eu criei um ambiente de análise fora do salão de jogos. Claro que deixei bem explicado que o local era destinado exclusivamente à análise, e não pingão. Tudo bem que no último dia, nas duas últimas partidas eu vi o pessoal jogando e não reclamei, afinal, não estavam atrapalhando o ambiente de jogo.

Grupo de WhatsApp: Esta ideia foi uma sugestão do amigo e referencia na arbitragem Luiz Setti. No segundo dia de torneio eu conversei com todos os treinadores dos atletas presentes, e expliquei a ideia de montar um grupo no WhatsApp para termos um canal de comunicação fácil para informar sobre as próximas rodadas, além de tirar dúvidas. No fim, este grupo foi a salvação, já que foi preciso adiantar em 30 minutos a última rodada, e devido ao grupo, a informação chegou a todos de forma segura e com bastante antecedência. Fica a dica para todos que arbitram Jogos Regionais, Abertos, JEESP entre outros eventos.

Vista das primeiras mesas. Em destaque o tabuleiro 3. A esquerda a mesa da arbitragem.

Considerações Finais: Pois bem, voltei para casa e escrevo este post com uma grande certeza. O bom senso é o grande segredo para uma arbitragem de qualidade! Você não precisa ser o arbitro que sabe tudo, mas sim precisa ser o arbitro que observa tudo, e desta forma tem total consciência do que irá realmente atrapalhar o ambiente de jogo e consequentemente os atletas. E como no xadrez, antecipa o problema, e busca solucioná-lo da melhor forma possível. No caso, as situações listadas neste post, eu busquei lidar da forma mais sensata possível. Valorizando sempre os atletas, só que também permitindo que todos pudessem desfrutar do ambiente.

Por fim, deixo abaixo duas partidas bem instrutivas. Uma referente um final de Torre bem interessante e a outra com um sacrifício temático bem comum.

Para baixar todas as partidas do Feminino e Masculino do JEESP, só clicar AQUI.

P.S. Dúvidas sobre xadrez e arbitragem só deixar nos comentários.

Bom divertimento e estudo a todos!

Olá pessoal!

Depois de muito relutar, decidi criar o meu blog chamado: Xadrez com Novais. 

Sou Professor de Xadrez. Terapeuta Holístico. Idealizador do Projeto: Xadrez com Novais. Colunista da Revista Xadrez Bem Brasileiro e Diretor do Clube de Xadrez de Mogi Mirim (CXMM).

Sobre o blog, já adianto que o objetivo dele não é transformar ninguém em GM, mas sim compartilhar um pouco sobre a minha trajetória no jogo,

Abaixo segue alguns dos temas que você irá encontrar aqui:

  1. O que fiz para burlar a minha preguiça em estudar abertura e desta forma comecei a criar posições onde tinha iniciativa;
  2. Como transformei a resolução de tática em uma tremenda brincadeira, e desta forma comecei a ganhar mais partidas;
  3. Qual foi o método que utilizei para selecionar os jogadores referencia para estudo; e
  4. O que fiz para trabalhar com o meu emocional/psicológico que me bloqueava muito e fez-me entrar em uma crise, que apelidei carinhosamente de: jogar bem e não vencer um jogador acima de 2000 de rating FIDE.

É isso! Espero que cada leitura lhe ajude a evoluir e aumentar um pouco mais o seu rating.

Bom estudo e um belo divertimento!