Perder sem se perder.
Olá!
Está semana estava dando aula, quando uma aluna me diz após um peão ser capturado: "mas eu quero ganhar!" Eu imediatamente pensei comigo, antes de ganhar você precisa aprender a perder. Passado alguns dias vi uma postagem no Facebook que dizia: "eu joguei um torneio e fui muito mal, agora estou em dúvida se continuo ou não com o xadrez, será que o torneio tem alguma influencia quanto a este meu pensamento?" Eu prontamente respondi, com toda certeza sim!
As duas situações acima, refletem muito a maioria dos enxadristas, pois primeiro tanto no xadrez como na vida, somos bombardeados de tudo quanto é lado para realmente sermos vencedores, quem nunca ouviu a frase: "o segundo lugar nunca é lembrado.”.
É nesta busca desenfreada pelo sucesso que a maioria das pessoas fracassa, mesmo vencendo se você observar bem, não há felicidade, há muita arrogância presente.
Mas o meu foco hoje, não é falar sobre isto, mas sim falar sobre a derrota e como não deixar ela te derrotar.
Ao perdemos as duas primeiras sensações que temos é: frustação e raiva.
- A frustação é porque realmente não estamos preparados para ver o outro vencer. Preparei-me tanto para vencer, como eu não venci?
- Já a raiva é a consequência desta frustação, e ela aciona o gatilho: sou ruim, estudo e não aprendo nada, nunca vou me dar bem neste jogo etc.
Então minha primeira sugestão, comece a viver estas duas situações, mas de forma um pouco diferente.
- Quando a frustação chegar, olhe para ela e diga: sim, eu realmente estou frustrado, pois joguei o que estudei e perdi, mas não vou deixar isto me abalar, pois me lembrei da abertura, consegui seguir algumas ideias, e agora tenho um material a mais para analisar e melhorar.
- Sobre a raiva, também sinta ela, mas em vez de descontar ela em si mesmo com frases, encontre outra forma de liberar ela, você pode rasgar um papel, dar socos no travesseiro, jogar pedras longe, e enquanto faz isto, tenta prestar atenção na respiração, e como mágica, chega um momento que você muda o foco e vai perceber que toda a raiva se transformou em motivação para estudar e principalmente para continuar com o que te faz bem.
É fácil começar a mudar o olhar sobre estas situações? Nem um pouco! Mas é um ritmo que assim que iniciado, vai ficando cada vez mais maduro, igual uma partida de xadrez.
Para finalizar, como sempre faço, seguem duas partidas para exemplificar o que comentei.
Bom estudo e belo divertimento.
A imagem usada neste artigo foi extraída desta partida jogada em 2018 entre Vladimir Kramnik x Fabiano Caruana no Torneio de Candidatos.
