X Floripa Chess Open!
Olá pessoal!
No último dia 28/01, terminou o X Floripa Chess Open, e pela 6ª vez eu estive presente no maior Festival e torneio do Brasil. Inclusive se você quiser conhecer um pouco mais sobre a grandeza deste evento, só clicar aqui e acessar o meu post feito ano retrasado, que conta um pouco sobre a história e minhas participações no evento.
Nos meus primeiros anos jogando o Floripa Chess Open, eu sempre criava uma expectativa gigantesca, seja por resultado, ou rating. E ao final do torneio a frustração sempre surgia, pois nada do planejado se realizava. Sendo assim, a cada ano aprendi a deixar de lado a expectativa e apenas desfrutar da cidade e do torneio.
Este ano não foi diferente, o objetivo foi buscar jogar boas partidas e me divertir com elas. E abaixo compartilho algumas vivências que tive durante o torneio.
Finais de Torre:
Ano passado ao estudar o livro Maestría em Ajedrez, do Jacob Aagaard, cheguei a um capítulo chamado: Por que estudiar Finales?. Neste capítulo de forma simples e bastante didática, Aagaard além de mostrar alguns finais importantes de Torre, responde a pergunta que titula este capítulo.
Pois bem, depois de muitos anos relutando, eu aceitei mergulhar de cabeça em aprender as posições que estavam neste capítulo, e o impacto em compreender elas nas minhas partidas foi simplesmente incrível. E neste Floripa não foi diferente. Quatro das minhas partidas chegaram a Finais de Torre. E destes quatro Finais, eu consegui converter dois em vitória (um com uma posição semelhante ao do livro). E salvar um, justamente por ter visto uma posição também semelhante no livro.
Então para você que esta lendo este post, independente se esta começando ou já possuí conhecimento sobre o jogo, estude Finais, e dentre eles, o de Torre.
Foque-se apenas no Básico.
Vira e mexe um aluno meu me pergunta: - O que preciso fazer para melhorar? Eu sempre sorrio e respondo: - Foque-se no básico! E em seguida pergunto:- Em suas partidas você está seguindo os três conceitos básicos do xadrez, que é dominar o centro, desenvolver suas peças e proteger o seu Rei (roque)?
Chega a ser engraçado, mas na maioria das vezes, o problema esta no básico. Muitos jogadores estão tão focados em decorar uma sequência surreal de lances de determinada abertura, só porque jogador X ou Y a jogou que se esquecem de que o xadrez vai muito, além disto.
Na 3ª rodada do Floripa eu enfrentei um jovem enxadrista, e após alguns lances, eu percebi que ele estava repetindo a mesma abertura que o MN Matheus Mendes jogou contra mim ano passado no Aberto do Brasil de Poços de Caldas. Percebido isto, eu parei e matutei por alguns minutos, se eu mudaria algum lance, ou então mergulharia na mesma variante que havia jogado. Eu optei por jogar de forma igual, contando que em algum momento ele iria se complicar, já que talvez ele pudesse ter decorado os lances em vez de realmente ter compreendido a ideia por trás deles.
E foi justamente isto que ocorreu. Em certo momento, baseado na partida que estava na base, ele chega a uma posição onde há uma divergência com o que realmente foi jogado. E desta forma, ele se enrola na ideia para manter a posição igualada, perde um Peão e adentramos em um final de Torre (que coisa, hein!?), e novamente no final, fica claro que ele não tinha ideia de como jogar. E desta forma consigo uma vitória bastante tranquila.
Após a partida conversei um bom tempo com ele e seu pai. E deixei claro que ele tem um baita potencial pela frente, mas ressaltei que é extremamente importante compreender o que se esta fazendo, e não apenas repetir lances.
Além das 64 casas.
Eu cheguei a um momento da vida, que jogar é imensamente prazeroso, mas tudo que eu posso vivenciar fora das 64 casas também é! E neste Floripa não foi diferente, na segunda rodada eu enfrentei um MI canadense. A partida foi interessante desde a abertura. Só que infelizmente avaliei mal alguns momentos da partida, e desta forma joguei lances bastante fracos, e desta forma fui estrategicamente moído pelo meu adversário. Ao final da partida, me surpreendi com o pedido dele se eu queria conversar sobre a partida. Eu claro, aceitei. Só que tem um detalhe, meu inglês é bastante limitado. Então após responder que meu inglês era bem mais ou menos, ele me perguntou se podia ser em espanhol, aí sim, aceitei e foi sem dúvidas uma vivência inesquecível.
Sentamos em um banco do lado de fora do salão de jogos, o MI pegou a planilha olhou para mim e perguntou se conseguia acompanhar as análises a cegas? Eu disse que sim, e desta forma ficamos conversando cerca de 30 minutos.
Esta não foi a minha primeira vivência com outro idioma, mas sem dúvidas ter batido um papo com um MI, analisando a partida as cegas e em outro idioma, é uma vivência que sinto que todo enxadrista precisa pelo menos uma vez na vida vivenciar.
Isto para mim mostra o quanto o xadrez é um esporte sem fronteiras, e que permite aos jogadores inúmeros benefícios em todos os âmbitos, seja social, cultural, pedagógico etc.
Abaixo deixo a partida jogada, com as análises do meu adversário compartilhadas comigo após a partida e as minhas pessoais.
Bom divertimento e belo estudo!
