As Campeãs Mundiais Femininas: Zhu Chen
Após Susan Polgar não defender seu título por razões pessoais, Xie Jun recuperou o título. A FIDE mudou o formato do Mundial Feminino em 2000 para um sistema eliminatório, removendo o tradicional Torneio de Candidatas. A China se firmou como a principal potência no xadrez feminino, com jogadoras de destaque como Zhu Chen. Vamos conhecer mais sobre a Nona Campeã Mundial.
Infância e Inicio da Carreira
Nascida em março de 1976, Zhu Chen aprendeu a jogar xadrez ocidental ainda muito jovem. Nessa época, a China já havia iniciado seu ambicioso "Projeto Grande Dragão", com o objetivo de desenvolver o xadrez nacional. Zhu foi transferida para Pequim, onde passou a se dedicar intensamente ao estudo do jogo — mais de 8 horas por dia. Os frutos desse esforço vieram rápido: ela venceu o Mundial Juvenil Sub-12 em 1988, tornando-se a primeira chinesa a conquistar um título mundial de xadrez.
Mais tarde, venceria também o Campeonato Mundial Sub-20 em duas ocasiões: em 1994, no Brasil, e em 1996, na Colômbia.
Seu estilo sempre foi agressivo, preferindo partidas táticas, como demonstra sua vitória sobre a lendária brasileira Tatiana Ractu, em 1994.
Zhu também se destacou nos campeonatos nacionais da China, vencendo a seção feminina três vezes (1992, 1994 e 1996). Em 1997, foi vice-campeã na seção aberta, enfrentando os melhores jogadores do país. Estava claro: o título mundial era uma meta realista.
Campeonato Mundial
Eram tempos conturbados para o xadrez feminino, e, na verdade, para a FIDE como um todo. Susan Polgar não defendeu seu título por estar grávida no período marcado para o match, e a FIDE se recusou a adiar o evento. Com isso, Xie Jun recuperou o título ao vencer Alisa Galliamova em 1999.
Na edição seguinte, a FIDE adotou um novo formato eliminatório com 64 jogadoras, e Xie Jun optou por não defender o título.
Zhu Chen brilhou no torneio: eliminou na semifinal a lendária Maia Chiburdanidze, uma das favoritas, e enfrentou na final a jovem russa de 17 anos Alexandra Kosteniuk. Em um dos confrontos mais emocionantes da história dos Mundiais, todas as partidas tiveram resultado decisivo, terminando empatadas em 2 a 2. O título foi decidido no desempate rápido, onde Zhu venceu por 3 a 1, tornando-se a Nona Campeã Mundial de Xadrez e agora também uma GM.
Carreira Pós Mundial
A campeã mundial também teve um grande desempenho no Grand Prix da FIDE, onde enfrentou o então campeão mundial da FIDE, Ruslan Ponomariov, que tinha 2727 de rating na época. Zhu Chen o derrotou, eliminando-o do torneio.
Apesar de ainda viver uma grande fase, a insatisfação de Zhu Chen com a FIDE tornou-se insustentável. Quando a entidade anunciou o Mundial Feminino de 2004 com menos de dois meses de antecedência, Zhu decidiu não defender seu título (sim não é a primeira vez que isso acontece nesse artigo)
Olimpíadas
Provavelmente o torneio de maior prestígio dentro do xadrez, sem contar os ciclos mundiais, são as olimpíadas, e neste evento, Zhu desempenhou um papel vital, que colocou a China como o país a ser batido. Representando a China em 5 ocasiões, ela ganhou 4 medalhas de ouro e 1 prata individual, já por equipes foram 3 ouros, 1 prata e 1 bronze.
Mudança Para o Qatar
Uma nova geração de jogadoras começava a surgir, e o espaço de Zhu Chen na equipe olímpica passou a ser ameaçado. A China adotou uma política de renovação, priorizando a juventude, muitas vezes independentemente do rating ou de critérios mais objetivos — algo que Zhu levou para o lado pessoal. Casada com o Grande Mestre do Catar, Mohammed Al-Modiahk, ela passou a representar o Catar a partir de 2006. Suas aparições nos torneios tornaram-se mais raras, mas, mesmo assim, alcançou seu maior rating em 2008 atingindo 2548.
Representou o Qatar em 3 Olimpíadas, dessa vez jogando na seção aberta.
Trabalhando para a FIDE
Zhu Chen dedica muito tempo à publicidade e à promoção do xadrez. Ela foi membro do Comitê Feminino da FIDE entre 2010 e 2014 e, desde 2014, atua como consultora do mesmo comitê. Em 2013, fundou uma academia de xadrez na China que leva seu nome, participando ativamente do processo de treinamento de futuros campeões masculinos e femininos.
Em 2018, Zhu Chen se juntou à equipe de Arkady Dvorkovich para as eleições presidenciais da FIDE. Após a vitória da equipe, ela se tornou Tesoureira da FIDE. Sendo reeleita em 2022.
Legado
Zhu viveu uma era de instabilidade nos ciclos dos mundiais e, mesmo assim deixou sua marca no mundo do xadrez, trabalhando atualmente na FIDE, que, durante sua carreira profissional lhe tirou oportunidades muitas vez. Ainda joga ocasionalmente principalmente torneios de rápidas e blitz.