Floripa Open é um gol de placa em muitos sentidos
No dia 30/01, o VIII Floripa Chess Open chegou à conclusão, com vitória do GM Krikor, brasileiro, que conseguiu seu primeiro título. O torneio foi transmitido ao vivo pelo canal oficial, por diversos canais parceiros (um deles o do próprio GM Krikor) na Twitch, e no YouTube pelo canal do Raffael Chess, e atingiu números astronômicos em visualizações para o esporte no Brasil (relatos falam em mais de 13 mil visualizações simultâneas durante as partidas).
Não sou nem jogador e nem organizador, mas é importante falar sobre esse torneio - é um modelo a ser seguido nas nossas terras.
Para quem já conhece o cenário nacional de xadrez, esses números não são exatamente uma surpresa. O FCO é o maior (em volume) torneio aberto em terras nacionais, inclui diversos mestres estrangeiros, e é uma reunião e festa há muitos anos. Mas para quem está chegando agora, é interessante saber como a produção desse torneio é um acerto em vários sentidos, e o motivo dele ser tão importante.
1. O Floripa Chess Open incentiva e desenvolve jogadores
A equipe do Floripa Chess Open se esforçou para criar diversas categorias de premiação, reconhecendo e incentivando jogadores que, de outra maneira, passariam batidos dentre os vários jogadores famosos presentes no torneio. Com premiação em categorias como menores de 7, 10, 14 e por aí vai, os jogadores em ascensão ganharam atenção. Mais do que isso, neste ano o FCO premiou performance considerando rating máximo, o que incentiva jogadores fortes sem titulação a continuarem se dedicando. A premiação no feminino (ainda que o torneio seja absoluto) também é importante e incentiva jogadoras adentrarem no esporte. Em suma, todo o esforço da organização se pagou numa visão à longo prazo, fortalecendo quem já se interessa por xadrez.
2. A divulgação do Floripa Open é eficiente e ajuda todas as audiências de xadrez
Ao permitir que as imagens do torneio não se limitassem aos canais oficiais, o torneio conseguiu, reforço que com a simples atitude de não restringir as imagens a si mesmo - o que traria fatalmente poucas visualizações -, que o gigantesco jogador e comunicador enxadrístico Raffael Chess se engajasse e movesse milhares de pessoas durante a transmissão do torneio, sejam engajadas no jogo ou não. Da mesma forma, os canais da Twitch do GM Krikor, da Babi Chess, do Quintiliano, dentre outros que buscaram falar sobre o torneio - além do canal oficial - conseguiram bastante sucesso. O xadrez, mundialmente, foi um dos eSports (ou esporte tradicional transmitido em plataformas de jogos eletrônicos, como preferir) que mais cresceram durante a pandemia, e poder observar esse fenômeno com ajuda da organização em si é um acerto necessário de ser mencionado.
3. A organização é organizada
Apesar disso parecer piada, a organização do Floripa Chess Open recebeu só elogios pela posição de câmeras, upload em tempo real das dez primeiras mesas, e mais e mais qualidades que não encontramos no ano passado durante torneios importantes - como o Campeonato Nacional de Xadrez. Os resultados foram transmitidos rapidamente, o que mostra uma incrível capacidade de adaptação e um trabalho dedicado da staff, preparada para absorver o imenso ganho de popularidade do esporte. Ponto extra foi conseguir lugares espetaculares para os jogos, que enalteceram ainda mais o torneio. Mesmo com todas as restrições necessárias pela pandemia do COVID-19, o evento conseguiu simplesmente se desdobrar para abranger os jogadores de maneira brilhante.
4. O Floripa Chess Open é mais do que xadrez em alto nível
O evento reuniu mestres famosos, análises acuradas e partidas emocionantes. Mas há algo além disso: com oportunidades para treinar novos juízes (gratuito para mulheres), torneios blitz e uma agenda completa, o torneio conseguiu também engajar quem tem outras aspirações no meio enxadrístico. Batendo mais uma vez na tecla do massivo ganho do esporte durante os dois últimos anos, isso é uma oportunidade prática para atingir públicos originalmente diferentes e promover ainda mais o xadrez brasileiro.
5. As provas de resultado do FCO são várias
Canais enxadrísticos como GM Rafael Leitão e MI Roberto Molina tiveram números expressivos de visualizações e comentários em suas análises, se comparados com a média desses ambientes. Isso mostra o resultado positivo incontestável com os públicos heterogêneos que acompanham o xadrez. Além disso, o torneio dividiu os holofotes com o fortíssimo Tata Steel, que trazia lendas do xadrez mundial, e não fez feio. Isso prova que o Floripa Chess Open conseguiu, com sucesso, interligar todos as audiências e produzir conteúdo interessante para os níveis variados de jogadores. Mérito também do pessoal que se esforçou, com destaque para o Molina, que mesmo durante o torneio analisou e publicou suas partidas, no melhor estilo GothamChess, não por acaso o maior canal enxadrista do mundo. Um esforço que não passou batido pela comunidade!
6. O torneio é um alvo para jogadores tentarem normas
Para quem aprecia o xadrez de altíssimo nível, o Floripa Chess Open não perde em nada e permite a jogadores como MI Diego di Berardino, MI Simon Languiday e WMI Julia Alboredo brigarem por mais normas durante sua execução. Diego e Julia bateram na trave na conquista de novas normas, mas Símon passou de MF para MI no Floripa Chess Open. Isso evidencia o nível do torneio, sendo uma festa para a audiência, mas muito relevante também para o enxadrismo profissional.
Há mais e mais pontos para serem elogiados em relação ao FCO. Por hoje, ficamos com esses. Foi um grande evento enxadrístico, marco da revolução que o esporte está passando no Brasil. O esmero da equipe se traduz em números de sucesso e ganhos sensíveis pelos círculos diferentes que existem no xadrez, e torna-o num evento principal para, mais do que enxadristas, o grande público possa ter contato com esse cenário. Esperamos por mais eventos na mesma qualidade!