Entre o Machado e a Espada

Entre o Machado e a Espada

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No dia 21 de junho de 2025, celebraremos 186 anos do nascimento do Bruxo do Cosme Velho, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, Joaquim Maria Machado de Assis. Sua contribuição para a literatura e a cultura brasileiras não têm comparação. Todos conhecem "Dom Casmurro", ou "Memórias Póstumas", mas você sabia que o xadrez foi uma das grandes paixões da vida de Machado?

Em 15 de junho de 1877 a revista "Ilustração brasileira", em sua coluna de xadrez, publica o seguinte problema:

Sim, um problema de xadrez composto por Machado de Assis -- o primeiro publicado por um brasileiro! As brancas jogam e dão mate em 2, você consegue encontrar a resposta?

  Alguns anos depois, em janeiro de 1880, a "Revista Musical e de Belas Artes do Rio de Janeiro" anunciava, em sua coluna de xadrez, “um torneio entre seis dos melhores amadores desta corte”. Tratava-se do primeiro torneio de xadrez disputado na história do Brasil. Quem eram os participantes? 

- Machado de Assis: dispensa apresentações;

- Arthur Napoleão: Pianista luso-brasileiro membro da Academia Brasileira de Música, amigo, e professor de xadrez de Machado;

- João Caldas Viana Filho: Talvez o principal enxadrista nascido no Brasil até 1930, mas tinha apenas 17 anos à época;

- Charles Pradez: Enxadrista suiço que morou alguns anos no Rio de Janeiro;

- Joaquim Navarro: Enxadrista brasileiro amador;

- Vitoriano Palhares: Poeta membro da Academia Pernambucana de Letras;

As regras da competição eram simples: cada enxadrista jogaria quatro partidas com seus adversários, e seria considerado vencedor aquele com o maior número de pontos. 

Arthur Napoleão sagrou-se vencedor e Machado, a pesar de ter liderado a competição em determinado momento, terminou em 4°. Vejamos, segundo Arthur Napoleão, a melhor partida de Machado no torneio: 

Charles Pradez (brancas) x Machado de Assis (pretas);
A respeito da partida, Arthur Napoleão disse: "Esta partida fez muita honra ao Sr. Machado de Assis que a jogou muito bem, e contra um parceiro como o Sr. Pradez. Talvez no seu todo, seja uma das partidas mais bem jogadas do torneio".
Além da prática regular, Machado também faz menção ao jogo em obras como "Iaiá Garcia", "Questão de vaidade", e "Astúcias de marido". 

"Meu bom xadrez, 
meu querido xadrez...
Tudo pode ser, 
contanto que me salvem o xadrez."

Machado de Assis. A Semana. 12/1/1896 Vol. 3, pag. 84.