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Vitiugov é transferido da Rússia e se torna o novo número um da Inglaterra
Após sua transferência, Nikita Vitiugov tornou-se o novo número um da Inglaterra. Foto: Maria Emelianova/Chess.com

Vitiugov é transferido da Rússia e se torna o novo número um da Inglaterra

TarjeiJS
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O GM Nikita Vitiugov, campeão russo em 2021 e atual número 25 do mundo, tornou-se a transferência mais significativa da Rússia desde a invasão da Ucrânia. Sua mudança para a Inglaterra foi oficialmente confirmada pela FIDE na semana passada.

Vitiugov, natural de São Petersburgo, é agora o jogador com maior rating da Inglaterra, com 2719, 43 pontos à frente do GM David Howell (2676), tornando-o elegível para participar das Olimpíadas de 2024 em Budapeste.

"Ele é uma adição bem-vinda à equipe e nós esperamos que ele compartilhe seu conhecimento e experiência com nossos jogadores em ascensão", disse IM Malcolm Pein da Federação Inglesa de Xadrez ao Chess.com.

"Bem-vindo a bordo", tuitou a Federação Inglesa de Xadrez esta semana.

Vitiugov tornou-se campeão russo em 2021 e treinou o GM Peter Svidler durante dois torneios de Candidatos e o GM Ian Nepomniachtchi em seus dois matches do Campeonato Mundial da FIDE. Ele também venceu o Campeonato Mundial de Xadrez por Equipes com a Rússia duas vezes e a Copa Europeia de Clubes três vezes. Ele ganhou outros torneios de prestígio, como Gibraltar Masters (2013), Grenke Open (2017) e Prague Masters (2019). Vitiugov também publicou dois livros sobre a Defesa Francesa.

O jogador de 36 anos está entre os muitos grandes mestres russos que se manifestaram contra a invasão da Ucrânia. Numa entrevista ao Chess.com, ele fez declarações anti-guerra e tuitou:

"Vou deixar clara a minha posição: você não pode se defender no território de outra pessoa. Russos e ucranianos são irmãos, não inimigos. Parem a guerra."

Nikita Vitiugov during the 2017 FIDE World Cup. Photo: Maria Emelianova/Chess.com
Nikita Vitiugov durante a Copa do Mundo da FIDE de 2017. Foto: Maria Emelianova/Chess.com

Vitiugov decidiu permanecer na Costa Blanca, Espanha, com a esposa e o filho recém-nascido após o início da guerra e não voltou desde então. Ele conversou com um jornal espanhol no ano passado e falou sobre como não consegue pensar sobre xadrez. Regressar à Rússia não era uma opção, disse ele.

"Eu nunca poderia ter imaginado isso. Você percebe que o país onde você nasceu iniciou uma guerra. É insuportável. E acredito que muitos russos sentem o mesmo", disse ele.

De acordo com o The Guardian, Vitiugov alugou um apartamento no leste da Inglaterra e está tomando providências para que sua família se junte a ele lá.

A mudança de Vitiugov é uma perda significativa para o xadrez russo, como admitiu o vice-presidente da Federação Russa de Xadrez, Sergey Smagin, à agência de notícias estatal RIA.

"Vitiugov aproveitou as regras da FIDE, que estão em vigor até 31 de agosto. Este foi um compromisso. Claro, esta é uma perda para o xadrez russo. Por outro lado, o próprio Vitiugov terá a oportunidade de competir em todos os torneios. Pelo que eu sei, existe agora uma espécie de boom do xadrez na Grã-Bretanha. Ao mesmo tempo, estamos falando de um grande mestre experiente, cujos melhores resultados já ficaram para trás. No momento, ele está mais concentrado em treinar, ajudando, em particular, Ian Nepomniachtchi”, disse Smagin.

O GM Sergey Karjakin, o cada vez mais polêmico ex-desafiante ao Campeonato Mundial que foi banido por seis meses por suas declarações pró-guerra, disse que perder Vitiugov era "muito sério" em uma entrevista à RIA.

"Muitos caras saíram. Precisamos estar atentos a esse problema, porque em algum momento não teremos mais membros da seleção nacional e teremos que competir como segunda equipe. Isso reduz nosso potencial geral no xadrez do país. A perda de Nikita Vitiugov é muito grave."

Outra saída significativa da Rússia é do GM Sanan Sjugirov, atual número 34 do mundo, que se tornou o novo número um da Hungria, à frente do GM Peter Leko, em 23 de agosto. O campeão mundial Sub-10 e Sub-14 foi um jogador de 2600 durante anos, mas quebrou a barreira dos 2700 pela primeira vez em 2022 e atualmente seu rating é de 2705. Isso o torna o segundo russo com melhor rating a mudar de federação.

Sanan Sjugirov broke 2700 for the first time in 2022. Since August he is representing Hungary. Photo: Maria Emelianova
Sanan Sjugirov ultrapassou os 2700 pela primeira vez em 2022. Desde agosto, ele representa a Hungria. Foto: Maria Emelianova

A transferência do jogador de 30 anos é subestimada pela Federação Russa de Xadrez.

"Quando um enxadrista deste nível sai, é uma perda. Não é fatal, mas uma perda. Este não é o primeiro enxadrista que, por motivos pessoais, mudou a jurisdição esportiva. Devemos aceitar isso como um fato. Qualquer saída é ressonante. Temos muitos jogadores de xadrez fortes que já aceitaram esta decisão. Mas não creio que Sjugirov consiga se tornar um dos 20 grandes mestres mais fortes do mundo num futuro próximo, tendo em conta a competição dos enxadristas asiáticos", disse Smagin.

Outra mudança digna de nota é do GM Maksim Chigaev, de 26 anos, que se tornou o novo número sete da Espanha quando trocou de federação em 17 de agosto.

A lista dos melhores grandes mestres da Rússia que mudaram de federação e fugiram do país desde a invasão da Ucrânia está ficando mais longa:

  • GM Sanan Sjugirov - mudou para a Hungria em 23 de agosto
  • GM Maksim Chigaev - mudou para a Espanha em 17 de agosto
  • GM Anton Demchenko - switched to Slovenia on July 28
  • GM Vladimir Fedoseev - mudou para a Eslovênia em 28 de julho
  • GM Kiril Alekseenko - mudou para a Áustria em 7 de julho
  • GM Alexander Motylev - mudou para a Romênia em 14 de junho
  • GM Alexey Sarana - mudou para a Sérvia em 21 de abril
  • GM Alexandr Predke - mudou para a Sérvia em 3 de março
  • GM Alexandra Kosteniuk - mudou para a Suíça em 3 de março

É provável que mais russos encontrem novas federações no futuro, mas Karjakin diz que o GM Andrey Esipenko, de 21 anos, não será um deles, alegando que Esipenko tem uma cláusula em seu novo contrato com a Federação Russa de Xadrez que o proíbe de mudar de federação.

"Podemos dizer que este é o único enxadrista que não mudará de cidadania num futuro próximo. Segundo minhas informações, seu contrato com a Federação Russa de Xadrez afirma até que Esipenko não tem o direito de trocá-la. Quanto ao resto do pessoal, não ficarei surpreso se outros também mudarem de cidadania. Ficaria surpreso se isso não acontecesse", disse Karjakin à agência de notícias estatal russa.

Esipenko, junto com o GM Dmitry Andreikin e Svidler são agora os melhores jogadores russos que jogam sob a bandeira da FIDE. Seus três jogadores com mais rating, como o ex-desafiante ao campeonato mundial Nepomniachtchi, o GM Alexander Grischuk e o GM Daniil Dubov, além de Karjakin, permanecem com a bandeira russa no site da FIDE.

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