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Imposição de uso de véu gera polêmica em mundial feminino de xadrez no Irã

Imposição de uso de véu gera polêmica em mundial feminino de xadrez no Irã

Aarao
Feb 21, 2017, 3:03 PM 0

Ter o cabelo coberto com um "hijab" e participar de um mundial feminino de xadrez no qual é o obrigatório o uso do véu islâmico foi uma experiência inédita para muitas jogadoras que decidiram disputar o torneio que acontece em Teerã, capital do Irã, mas a imposição inusitada gerou muita polêmica.

O uso forçado fez com que algumas delas abrissem mão do mundial, uma forma também de criticar a obrigatoriedade do véu para as iranianas. Outras, no entanto, tiveram uma postura diferente. A peça pode sim ser incômoda, mas afeta o jogo ou a concentração?

"Foi um pouco polêmico porque não estávamos acostumadas a jogar ele, mas acho que foi uma experiência interessante e, assim, colaboramos para apoiar o desenvolvimento do xadrez no Irã", justificou a cubana Yaniet Marrero.

A jovem está em seu segundo campeonato mundial e foi eliminada na primeira rodada, mas não associou a derrota ao véu. O revés veio pelo cansaço do fuso horário e pela força de sua adversária. Para ela, porém, o "hijab" é "incômodo", mas viável.

"Às vezes ele apertou um pouco e quando eu movimentava a cabeça para os lados durante a partida. Fiquei incomodada", explicou.

A russa Anastasia Bodnaruk pensa diferente. Para ela a peça não é tão problemática quanto parece. Apesar de discordar de Yanet sobre o incômodo provocado pelo véu islâmico, as duas defenderam o respeito às posturas das atletas que decidiram boicotar o torneio por causa da imposição.

"As pessoas têm crenças diferentes e isso talvez possa afetar a participação aqui. No meu caso, não afetou porque não tenho apego a essas coisas. Cada um tem uma forma de pensar e é preciso respeitar", defendeu Anastasia.

As crenças e valores, porém, foram determinantes para a pentacampeã argentina Carolina Lujan. Ao informar sua desistência do torneio, a jogadora defendeu que o véu "não é um simples código de vestimenta" ela que seria obrigada a aceitar.

Na opinião de Anastasia, a decisão das que boicotaram "possivelmente foi correta" e foi tomada porque no Irã há "outra cultura e outra religião".

A polêmica cercou o campeonato desde o anúncio do país-sede, mas, para algumas jogadoras, o problema real do xadrez feminino é a falta de patrocínio. Na ocasião, o Irã foi o único disposto a receber o evento e arcar com as despesas. Conforme alegou a Federação Internacional de Xadrez (FIDE), não houve outra opção.

O torneio, que começou no último sábado segue até 4 de março, tem eliminatórias diretas, e a final é deputada em quatro partidas. A ganhadora do Grande Prêmio FIDE 2015-2016, a chinesa Ju Wenjun, e a campeã mundial de partidas rápidas ('Blitz'), a ucraniana Anna Muzychuk, são as favoritas ao título.

A realização do torneio no país é uma grande oportunidade, como reconhecem as participantes e a Federação de Xadrez do Irã.

A vice-presidente da Federação e treinadora do time nacional feminino, Shadi Paridar, afirma que o Irã é um bom anfitrião deste Mundial porque "as mulheres não precisam usar uma vestimenta especial". Sobre o véu, Shadi defende que a peça "não causa problemas" e que as participantes podem escolher entre diferentes modelos para se sentirem "mais confortáveis".

"Tivemos muitas jogadoras com diferentes tipos de 'hijab' e até algumas com bonés, portanto isto não influencia na concentração", ressalta.

Além do patrocínio, a ideia do Mundial de Xadrez no Irã pretende fomentar o jogo que foi temporariamente proibido após a Revolução Islâmica, de 1979, até o aiatolá Khomeini estipular com um decreto que o xadrez não transgredia os princípios do islã.

 

Fonte: Terra

Link: https://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/imposicao-de-uso-de-veu-gera-polemica-em-mundial-feminino-de-xadrez-no-ira,12706b9dd9780cf5e06c44689c8825147uz9tnny.html

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