Observatório Baiano de Xadrez - Xadrez, Justiça e poesia - Edição #2
Fórum do Observatório Baiano de Xadrez foi criado em 16 de fevereiro de 2025. Hoje, 23 de fevereiro já reúne 100 membros para discutir e já se consolidou como um espaço onde a comunidade de xadrez poderá manifestar-se e participar ativamente de um processo de fortalecimento da participação social no xadrez na Bahia. A discussão política também chama a arte. Aqui compartilhamos a segunda edição de manifestações literárias no marco do Observatório:
Egas Campos | 23 de fevereiro de 2024
Se alguém faz algo bom, elogie e bote no holofote.
Se tem erro, conserte com um mínimo de crítica.
Tudo e todos passam.
Não seria bom cada um ser lembrado pelas suas qualidades?
Ninguém, absolutamente ninguém é anjo nem demônio.
Somos humanos e imperfeitos.
O tempo não demoniza nem santifica ninguém.
O tempo é Rei.
O tempo humaniza.
Os humanos não são perfeitos
Edézio Magalhães De Souza | 23 de fevereiro de 2024
A todos uma boa noite. Que espaço maravilhoso esse Observatório, viu? (É claro que algumas vezes ele fugiu do objetivo, né? Eu digo fugir do objetivo quando existem ofensas veladas ou bem direcionadas). O que nós devemos entender é que num jogo como o xadrez, no esporte, num desporto como o xadrez, eu não preciso ser amigo do meu oponente, mas é isso que ele é, o oponente - adversário. Existe um peso nessas palavras, né? E aqueles que eu jogo contra, eu considero apenas como meus oponentes, a quem eu posso vencer, empatar ou perder. Na maioria das vezes eu perco, mas mesmo perdendo eu aprendo. Essa é a vantagem desse jogo maravilhoso.
E o que eu quero, desde que eu comecei a jogar xadrez na minha adolescência, hoje eu sou um homem de 56 anos, é ver as belas pitadas que esse jogo pode proporcionar. Por exemplo, eu vejo as imortais de alguns jogadores antigos, famosos, e quando você pára para olhar essas partidas, você vê como é maravilhoso esse jogo. E hoje? Será que algum jogador atual, como Paulo Jatobá, tem uma partida imortal? Eu gostaria de ver isso.
Krikor, os grandes nomes nacionais, também entre as mulheres, será que eles têm partidas que você pode olhar e se deliciar? O xadrez me proporciona isso, é isso que eu quero ver, mas eu quero ver isso aqui na Bahia também.
Enzo Suzarte, a quem eu já vi jogar contra Jaime Miranda e vencer. E o Jaime Miranda, de maneira bem educada, estendeu a mão para cumprimentá-lo, ficaram discutindo os lances, o Paulo Jatobá também faz muito isso, e esse, sim, eu vejo que é um exemplo de humildade.Primeiro ele tem capacidade, e depois ele tem humildade, porque o nosso saudoso Big Play organizar um torneio no subúrbio ferroviário, lá no Lobato, e o Paulo Jatobá comparecer, para mim já foi um exemplo de humildade, ( ainda mais sabendo o prêmio, o prêmio foi irrisório, mas o mais importante foi ele estar lá. E ele não fez isso uma vez só não, na segunda vez, olha ele lá de novo. Outras pessoas a quem eu conheci, de relance no xadrez, não vou citar nomes aqui não, mas a maioria eu já tive algum tipo de contato, viu? O Roberto, o Vitor, Vitor Sampaio, o próprio Heterodoxo, o Zallio, até enfrentei o Zallio em Camaçari, e eu perdi, mas em Camaçari, no ano passado, eu tive até uma boa colocação, mas não é isso que importa.
O que importa é que esse jogo, ele vai proporcionar para futuras gerações, pelo menos esse é o objetivo, a oportunidade de também se deliciarem, conhecerem esse jogo, se tornarem grandes desportistas, mas para isso, precisamos de uma Federação que inspire confiança. E se surge algum tipo de desconfiança nas pessoas que estão na gestão, isso é muito ruim para todo o restante do esporte. Nós queremos ver nomes baianos no cenário nacional se destacando, mas para isso, precisamos, no mínimo, da decência, de uma transparência na gestão.
Não “pitis de nervosismo", não ataques sem sentido, generalizados, e às vezes até direcionados, não, não é isso, não precisamos disso. Precisamos sim que esse esporte maravilhoso, ele seja respeitado. Agora estamos falando da história do xadrez, veja o que ele já fez por todo esse tempo.
Pare para pensar um pouco, os grandes nomes, pessoas que estão ganhando dinheiro por causa desse jogo, e por quê? Porque eles se empenharam em estudar. Nós não precisamos ser amigos dos grandes jogadores, não, mas se eles têm méritos, um Diogo, um Dave, um Zallio, um Jaime, um Paulo Jatobá e todos os outros, se ele tem méritos, esse mérito deve ser aplaudido. É como no futebol, você torce para o seu time, mas você não gosta de ver um grande astro, não.
Eu torço pela vitória, mas eu sentia prazer em ver o Bobô jogando pelo Bahia Eu não gosto do estilo do Romário, mas eu queria ver ele em campo. Então no xadrez nós vamos encontrar pérolas também nesse sentido, são essas pérolas que não devem ser perdidas.
Para isso, precisamos de uma federação forte, uma federação transparente, uma federação que inspire confiança. Eu tenho a esperança que ainda vou ver isso nos próximos anos, que todos nós lutemos em prol desse objetivo.
Caio Barreto, 22 de fevereiro de 2025
BOBO
O bobo da corte tem nome
Ele tem rosto, que limpo
Não causa o riso
Nem o consome
Pois não tem pompa
Nem a circunstância
Que é própria da corte
Que ele revela quando se esconde
Entre tantas bobas personagens
Por sorte, por onde
Tantas damas de passagem
Tantos panos e maquiagens
Tanta espada na bainha
Que tantos portes cortaria
Dos inimigos, dos amigos
E da donzela o vestido
Mas o humor é fleumático
E não escolhe o sentido
Eis que mostra os dentes ao bobo
Que limpa o rosto distraído
Mas para e repara no espelho
E confere se ainda está vivo.