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FIDE isentará taxas de transferência para jogadores russos que mudarem para uma federação da Europa
A equipe feminina russa conquistou o ouro no Campeonato Europeu por Equipes de 2021, mas pode não jogar outra vez. Foto: Maria Emelianova/Chess.com.

FIDE isentará taxas de transferência para jogadores russos que mudarem para uma federação da Europa

PeterDoggers
| 1 | Políticas do xadrez

A Federação Russa de Xadrez (RCF) provavelmente irá se juntar à Federação Asiática de Xadrez (ACF), mas os jogadores russos poderão começar a representar uma federação de xadrez europeia imediatamente, sem quaisquer restrições ou taxas de transferência. Esta decisão foi tomada na terça-feira pelo Conselho da FIDE.

A FIDE anunciou que a ACF deve aceitar a RCF entre seus membros da federação em sua próxima Assembleia Geral, que acontecerá em Abu Dhabi, no dia 28 de fevereiro. A transição histórica da Rússia para a Ásia entrará em vigor em 1º de maio de 2023 e, depois disso, a RCF não será mais membro da União Europeia de Xadrez (ECU). O Conselho da FIDE também anunciou medidas de apoio para jogadores de xadrez que estão prestes a se mudar para outras federações europeias:

"Jogadores de xadrez que anteriormente representavam a RCF poderão representar sua nova federação com efeito imediato, a partir do dia seguinte ao envio de sua inscrição, sem quaisquer restrições. Todas as taxas de transferência, para FIDE ou RCF, estão dispensadas."

Desde o início da guerra na Ucrânia, muitos jogadores de xadrez deixaram a Rússia, incluindo os GMs Dmitry Andreikin, Vladimir Fedoseev, Alexander Predke, Kirill Alekseenko, Alexey Sarana, Nikita Vitiugov e Evgeny Romanov. Em maio de 2022, o Chess.com publicou entrevistas com muitos deles. Enquanto Romanov representa a Noruega, todos os outros jogam sob a bandeira da FIDE.

Após a saída da RCF da ECU, esses enxadristas podem enfrentar dificuldades na Europa, por exemplo, perdendo a oportunidade de participar de alguns torneios europeus. De acordo com o presidente da ECU, Zurab Azmaiparashvili, a ACF está "alguns anos atrás" da ECU em termos de organização e oportunidades para jogadores de xadrez. Ele disse ao Chess.com: "É mais fácil para jogadores de xadrez e treinadores fazerem parte da ECU."

Em um comunicado da ECU na quarta-feira, Azmaiparashvili disse que quer apoiar os enxadristas que se opõem à guerra na Ucrânia e querem ficar na Europa: "Em uma situação em que a RCF está dando um passo político radical e deixando a Europa, nós estamos prontos para fechar as portas atrás deles, mas devemos fornecer pelo menos um apoio mínimo aos jogadores que não se opõem à missão pacífica do esporte e não querem se mudar para a Ásia junto com a administração da RCF".

A declaração observa ainda:

"A ECU reconhece a importância da longa história do xadrez russo, mas a guerra na Ucrânia e a composição política da administração da RCF criam enormes divergências legais, políticas e éticas entre a RCF e a ECU."

"Agora o continente asiático terá que decidir se a RCF está de acordo com seu status, regras e valores."

Normalmente, uma federação que aceita um novo jogador tem que pagar uma taxa de transferência de 5.000 euros à FIDE. No entanto, muito mais significativa é a "taxa de compensação" que a Federação Russa receberia se um jogador saísse. Para jogadores com rating igual ou superior a 2700, isso chega a 50.000 euros; para jogadores com rating entre 2600 e 2699, são 30.000 euros.

O Conselho da FIDE decidiu cancelar todas as taxas de transferência e compensação para jogadores de xadrez russos. Eles poderão se transferir para uma das federações da ECU até 31 de agosto de 2023 e terão o direito de representar a nova federação em todos os eventos oficiais individuais da FIDE sem restrições a partir do dia seguinte ao envio da inscrição, desde que todas as outras condições sejam atendidas, incluindo o consentimento da federação anfitriã.

Alexandra Kosteniuk
Alexandra Kosteniuk pode estar entre os primeiros jogadores a se beneficiar da decisão do Conselho da FIDE. Foto: Maria Emelianova/Chess.com.

A decisão também é uma boa notícia para a GM Alexandra Kosteniuk. A campeã mundial feminina, de 38 anos, parou de jogar por seu país natal, Rússia, depois do início da guerra na Ucrânia. Um membro do conselho da Federação Suíça de Xadrez revelou no final de dezembro de 2022 que Kosteniuk pretende começar a jogar sob a bandeira suíça, uma mudança que agora pode ser feita muito antes.

O Conselho da FIDE decidiu facilitar a transferência de jogadores de xadrez por recomendação da ECU, que está em conflito com a RCF desde o início da guerra. Em um comunicado no dia 30 de janeiro de 2023, a ECU disse:

"A ECU assumiu uma posição clara, expressando sua preocupação com a presença de membros do alto escalão do Conselho de Segurança da Rússia, incluindo o Ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, e o secretário de imprensa do presidente russo, Dmitry Peskov, na estrutura constitucional da Federação Russa (seu Conselho de Curadores)."

"Isso torna a Federação Russa, como organização esportiva, não apenas politicamente vulnerável, mas também exposta às consequências da guerra. Acreditamos firmemente que, neste momento crítico, pelo bem da paz e da segurança na Europa, cada federação deve proteger a sua independência como uma organização desportiva."

No dia 3 de março, em Vrnjacka Banja, Sérvia, terá início o Campeonato Europeu Individual, reunindo 48 enxadristas sob a bandeira da FIDE. Os enxadristas russos que não se transferirem para as federações europeias de xadrez poderão participar deste torneio e do futuro Campeonato Asiático, já que a RCF se mudará oficialmente para a Ásia somente a partir de 1º de maio.

Como esses torneios também fazem parte do ciclo do Campeonato Mundial, a ECU explicou em seu comunicado:

"A fim de evitar qualquer ambiguidade nas fases de classificação do ciclo do Campeonato Mundial de Xadrez, a ECU observa que todos os jogadores que mudaram para a bandeira FIDE e se registraram para participar do Campeonato Europeu Individual de Xadrez, que será realizado em março de 2023 na Sérvia e Montenegro, são elegíveis para tal. Os eventos na Sérvia e Montenegro encerram o atual ciclo a nível europeu iniciado em 2020. Quanto ao próximo ciclo, os jogadores russos que não se transferirem para as federações da ECU pertencerão ao continente asiático e não serão capazes de se classificar na Europa se a transferência da RCF ocorrer."


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